"Likes" de menos

agosto 24, 2014

Dei um refresh no meu Facebook e apareceu o seguinte:
  1. Vídeo de poodles dançando;
  2. Postagem do Instagram de um amigo;
  3. Postagem da Marcela;
  4. Compartilhamento de vídeo da Vines Brasil;
  5. Ativista pró-animais postando foto de uma cadela presa para ser “estuprada” por outro cachorro da mesma raça para criação e venda de filhotes.
Ok.
Recentemente eu me deparei com um projeto interessante. A ideia da jornalista foi parar de dar likes em absolutamente tudo o que via. E, pelo que ela relata, houve uma grande mudança na timeline dela e nas relações com as pessoas.
O que significa dar um “like” hoje em dia? Pra mim tem muitos significados:
Pode ser “passei, vi, curti, tchau”.
Pode ser “gostei” mesmo.
Pode ser “ok, visto/lido”.
Pode ser “vou curtir aqui só pra não ficar chato”.
Pode ser “concordo plenamente com sua opinião/matéria compartilhada/foto sugestiva”.
Pode ser “nem vi direito, mas é que eu nunca sei o que comentar no que tu compartilha, mas eu gosto muito de ti, então vou curtir”.
Pode ser “o macho é meu, vadias, tô de olho em vocês”.
Ou ainda pode ser pra participar daquelas bobagens de “se sim, compartilha; se não, curte; se talvez, passe reto”.
Notem que, de meia dúzia de itens que apareceram na minha timeline, UMA foi algo total e puramente pessoal, processado dentro de um ser humano que fez a correta conexão com os dedos, que transmitiram esse processamento pelo teclado ou celular e então gerou um compartilhamento com alma. Com coração. Com raciocínio.
Mas então. A lógica de 5 entre 6 coisas não terem relação com pessoas em si é por causa do que decidimos curtir em vez de interagir efetivamente. Algo a ver com uns tais de “algorítimos“, que são tipo uns robozinhos que, quando veem que tu curtiu um vídeo de pato recebendo carinho, memorizam que tu viu vídeo de pato, vasculham o Facebook pra ver quem mais compartilhou QUALQUER VÍDEO DE PATO. Aí temos pato assim, pato assado, pato laqueado, pato caindo no esgoto, etc. Coisas que não necessariamente gostaríamos de ver.
Então eu decidi entrar num projeto: “Likes” de menos. No Facebook, pelo menos. Vai ser virtualmente imitar a jornalista americana. Parar de dar likes.
E não, eu não sei se isso se estende aos comentários e aos posts pessoais, mas a ideia de não dar mais “likes” não se limita a limpar a sua timeline de atualizações esdrúxulas, mas sim de, também, reconectar-se com as pessoas. Criar novos laços. Retomar amizades, quem sabe? Numa dessas é até interessante voltar a dar follow em gente que antes tu deu unfollow só porque as postagens eram constantemente compartilhadas de sites idiotas com curiosidades idiotas e vídeos idiotas como “Esta pessoa tentou lamber o cotovelo e o que aconteceu depois foi incrível” ← PAREM COM ESSA PORRA!!
Eu hoje dei meus últimos “Likes”, em comentários a fotos minhas. A partir de agora vou me esforçar para interagir mais com as pessoas quando eu acessar o Facebook. E eu acesso praticamente todos os dias, espero que o nobre leitor tenha sorte de ter alguma postagem sua na minha timeline, hue!
Em tempo: SIM, eu vou CONTINUAR sendo uma “like whore” no Instagram, mesmo que eu dedique 40 milésimos de segundo apreciando a foto.
 

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