Neste exato momento, saudades
março 08, 2021Neste exato momento a Cardamomo está olhando para a pilha de louças na cozinha com interesse obsessivo. Deu uma miadinha que eu sei bem o que significa: "um bicho".
Era uma mosca. Yuck.
No início da pandemia trabalhar de casa era legal, já que era uma novidade. Aqui em casa temos uma espécie de home office, no segundo quarto. Escrivaninha e computador. Mas o marido também começou a trabalhar de casa e migrei para a mesa de jantar com o meu laptop.
Na verdade eu só fiz isso porque achei o teclado novo do desktop desconfortável. Era para ser aqueles teclados "gamer", com luzinha, mas as teclas são barulhentas e eu passo a maior parte do meu trabalho digitando.
O problema é que não temos outra poltrona. Estou há quase um ano trabalhando numa cadeira de madeira, na esperança cada vez mais longínqua de a pandemia terminar definitivamente.
Então eu penso se a pandemia vai efetivamente acabar quando se pode ganhar muito dinheiro com ela. Quando eu penso na possibilidade de nunca mais sair na rua sem máscara me dá muito desânimo. Será mesmo que vamos ter que nos submeter a vacinas anuais, tais quais as vacinas da gripe H1N1? Ou será que até lá essas novas evoluções do vírus não serão agressivas a ponto de serem "pegou, morreu"?
Por mais praticidade que o trabalho remoto tenha, não concordo que essa forma de trabalhar seja a regra. Não é "moderno". Não é cômodo. Não é para todos.
Eu tenho um pouco de saudade de fazer os plantões de atendimento presenciais. Olhar na cara do cliente, espremer as informações, organizar os documentos e escaneá-los na ordem certa (porque para mim já chega de foto escura de documento no colo do cliente pelo Whatsapp). Muitos dos que eu atendia ao vivo não tinham a cara de pau que têm por telefone quando pedem para eu fazer uma "ação de estabilidade", que não existe.
Tenho muita saudade dos almoços com os colegas de trabalho e de conviver com eles até enjoar da cara deles. Queria voltar a me arrumar, me empetecar: comprei sandálias pela Internet só para ir trabalhar, porra!
Mas, como tudo nesta vida, existe o lado bom. Posso curtir a sol matinal do inverno, o marido coça minhas picadas de mosquito depois do almoço, o banheiro está sempre livre, o café está sempre fresquinho e as gatas sempre me forçam a fazer um intervalo inoportuno. Acho que o ponto mais alto de trabalhar em casa é ficar mais tempo com as gatas, porque era uma preocupação que eu tinha antes, considerando que nos finais de semana quase não ficávamos em casa.
Seria digno e moral se esse vírus evoluísse para sua autodestruição.




2 comments
um grande kkkcrying para fotos escuras de documentos tiradas no colo com um adicional de "moço, precisa estar legível"
ResponderExcluirImagina se tivéssemos que fazer direção de arte para fotos de documento pelo zap... "nesse ângulo, mas agora com mais luz. Não, moço, menos luz. Tira o dedo da lente."
ExcluirBe nice :)