366 dias depois
janeiro 22, 2021Eu poderia ter passado toda a pandemia escrevendo no blog porque estava com o que eu mais precisava para escrever blogs: privacidade. Escrever no escritório era uma tarefa arriscada.
Mas a vida me deu a oportunidade de escrever um diário, como nos velhos tempos. Foi uma experiência muito gostosa; eu queria ter feito (direito) isso há muito tempo.
Não foi um diário filosófico, com pensamentos sobre a vida. Serviu muito mais para registrar a pandemia como ela foi para mim, bem no estilo "hoje eu". Daqui a uns anos vai ser interessante voltar a ler o que eu escrevi, como sempre é quando eu volto a ler as agendas que eu salvei. Até hoje sinto um pouco de arrependimento de ter jogado fora as agendas velhas dos meus pais que eu usei como uma espécie de journal.
Mas antes dessas agendas eu lembro que usei um caderno usado da Tilibra. A capa era de uma série com modelos desconhecidos - na mesma época das capas com Ana Paula Arósio.
Não lembro o que eu escrevia. Mas recuperei desse caderno uma foto minha "editada" (a caneta hidrográfica) do dia seguinte ao que levei pontos na testa, depois de um incidente com o trinco da porta. Eu devia ter uns 8 anos, tenho que conferir a data da foto. Eu risquei "sangue" saindo dos pontos, supercriativa... Mas acho que foi aí o marco inicial do meu gosto por diários e por registros.
Eu lembro que, na época que comecei a usar agendas, com 10, 11 anos, eu escrevia cada dia com uma caneta gel de cor diferente. Tinha uma icônica cor verde-musgo e aquelas neon laranja bagaceirésimas.
A experiência de escrever sobre o seu dia num diário é muito pessoal. Às vezes parece ridículo, às vezes me sentia idiota, mas às vezes era onde eu podia canalizar algum ranço e colar do lado uma figurinha de gato pra não parecer nada de mais se alguém passasse os olhos (sendo esse alguém ou meu namorado ou as gatas). O fato é que não tinha nada de mais: basicamente era quando eu acordei (ou fui acordada pelas gatas), quem fez o café, quem limpou os cocôs, qual das gatas vomitou, que horas a Cardamomo espalhou bosta pelo apartamento de novo, quando fomos ao supermercado, que jogos jogamos, dietas iniciadas, dietas furadas, noites boas, noites ruins.
Podia ter usado o blog pra isso? Podia. ¯\_(ツ)_/¯
Ainda estou em regime de cárcere privado e, provavelmente, mesmo com vacina, ficarei assim por algum tempo. Nem quero ouvir falar em vacina. Acho que uma parcela do povo está deslumbradinha demais. Depois que essa praga virou pauta política barata e de militância, "the media sells it and you have the role".
Sinceramente, acho que a forma como o mundo lidou com esse vírus foi desonesta. Tudo orbitou lados políticos - e só um lado pode estar certo e dizem que isso é democracia. Palhaços: em República Federativa Ministro é r(l)ei.
Não quero encerrar o posto com ranço, então vamos às gatas:
As gatas estão bem. Houve um período em que a Cardamomo estava tossindo todos os dias e a Gjallarhorn em dias mais espaçados. A veterinária recomendou Malt Paste por 15 dias. Achei que dar essa pasta fosse tal qual dar vermífugo, mas no fim elas lambiam a pasta do meu dedo e tava tudo certo. Levou mais de 15 dias para a Cardamomo parar de tossir.
Além disso, a Cardamomo desenvolveu uma técnica curiosa para fazer cocô, se apoiando nas bordas da caixa de areia. Antes de usarmos a Malt Paste ela disparava pelo apartamento antes de cagar e às vezes escapava um cocozinho. Comparado com o da Gjallarhorn, o cocô da Cardamomo é maior, então achávamos que devia estar machucando pelo tamanho ou pela densidade. Hoje eu acho que é pura mania.
A Cardamomo também mastigou umas plantas até praticamente consumi-las (uma palmeira-ráfia e uma maranta-melancia) e estava destruindo todas as folhas novas da pata-de-elefante. Que bicho... Coloquei a palmeira (Gino) e a pata (Kawaisou) na lavanderia. A maranta (Suika) já era...
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| Devastação felina |
As gatas desenvolveram rotinas também: antes dos primeiros raios de sol (madrugada), Gjallarhorn nos acorda aos berros. Quando um de nós sai da cama, ela espera abrirmos a porta do banheiro e ligarmos a torneira pra ela tomar água. Às vezes a Cardamomo entra, mas normalmente ela fica de prontidão fora do banheiro pra então disparar até a bancada da cozinha esperando um petisco. Mas não basta dar o petisco: tem que jogar o troço longe pra ela correr atrás. Daí estamos ali, fazendo café ou secando a louça e a Cardamomo começa a miar olhando pra porta. Aí alguém abre e ela vai cheirar os capachos dos vizinhos, anunciando (miando alto) que está passeando no corredor do andar...
Agora estou aguardando ansiosamente pelo inverno para as gatas voltarem a dormir nas minhas pernas e quem sabe criarem a rotina de vir no colinho por vontade própria :P
Por fim, realizei um grande sonho de final de adolescência.
Nos primórdios dos blogs, eu ficava horas olhando sites de artistas de mangá. Ligava Winamp pra ouvir Ayumi Hamazaki e me perdia nesses sites. Fiquei com muita vontade de ter um meu, que não seria nem de perto nada parecido com os que eu via. Aqueles sites eram portfólios, de artistas profissionais que trabalhavam na área. Eu desenhava por hobby, mas na época achava que era como uma espécie de comunidade.
Num surto de nostalgia, através do Wayback Machine, encontrei vários desses sites e voltei a ficar inspirada. Daí nasceu o Patience and Time, cujo nome tirei de uma arma do Destiny, mas define bem a paciência e o tempo pra idealizar e realizar.
O site é em japonês. Sou uma impostora.
Os desenhos são tentativas e (muitos) erros no Procreate. Fiquei muito tempo sem desenhar e não sei nada de arte digital, então, com a união desses dois fatores, nasceram essas obras ridículas e amadoras. Eu poderia comentar que o iPad estragou, eu não tinna backup e quando trocaram perdi tudo o que eu tinha...





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