[#] Blogs antigos
fevereiro 14, 2018Desde que descobri o Internet Archives (thanks, Lolla!), tenho passado uns bons momentos do meu dia garimpando blogs que eu lia há 15 anos. Dessa vez encontrei blogs gringos da época em que a blogosfera de lá não era esse pântano de tutoriais e resenhas, era um monte de diarinhos de adolescentes otaku escrevendo sobre a vida acadêmica, sobre viagens com os primos e, pelo menos dos que eu lia, sobre o desejo de adquirir um tablet - e por “tablet” eu me refiro a tablet raiz da Wacom. Tanto que eu tenho esse, mas usei meia dúzia de vezes.
Eu fiz um documento no Google Documents com todos os posts de todos os meus antigos blogs - porque fui dessas retardadas que trocava de blog quase com tanta frequência quanto trocava de layout - e tem vezes que eu sinto vontade de bater a minha cabeça de 16 anos na parede. Outras, a minha cabeça de 30. Escrevi sobre a minha decepção quando li meus blogs antigos, e sempre que leio de novo, a decepção se renova.
O interessante foi ver que, entre 2002-2004, quando os blogs-raiz estavam bombando, o meu círculo de leitura/leitores gostavam muito de fazer “plugs” e esses links têm redirecionamento através do Internet Archives, ou seja: é como se eu estivesse em 2002 lendo blogs, clicando em links e visitando outros blogs. Com certo alívio, o pessoal não passava muito do mesmo tipo de conteúdo bobinho. A graça era, realmente, relatar sobre o seu dia, sobre um fato e que sentimento aquele fato trouxe na hora.
Meus blogs antigos não são legais como eu esperava que fossem, mas foram muito interessantes para eu “me ver” 15 anos depois. 80% dos posts era reclamando dos pais por causa de vestibular, depois por causa de faculdade e depois por causa de concursos. Três fases importantes da minha vida que sempre tiveram atrito com meus pais mas que, lendo aqueles posts ridículos, me fizeram perceber que eles poderiam estar certos, que eles poderiam estar, de fato, pensando no meu bem e que estariam, sim, querendo o meu melhor. E eu, burra e imatura, ia lá na internet discada e escrevia merda.
Duas coisas engraçadas nos meus blogs antigos não poderiam deixar de ser sobre meninos. Como quando eu fazia cursinho de inglês eu tinha um colega de aula 3 anos mais novo e uns 20cm mais baixo que eu, e que acompanhou o meu… nível? Módulo? Sei lá, mas todos os anos eles estava na minha turma. Certo dia ele me convida pra tomar café “algum dia”. Eu recusei, lógico, e segundo o post - e os posts seguintes - foi porque ele era chato, baixinho, gordinho, certinho e babava (!). Se fosse hoje em dia eu teria sido tachada de todos os prefixos para “fóbica” :P
E o outro foi quando um professor na escola entrou na sala de aula falando pra mim que tinha um guri de outra turma que gostava de mim, meus amigos e eu engajados pra descobrir quem era e algumas semanas depois descobrimos que o nome dele era “Berrrnarrrd”, que ele andava com amigos marombados mas era magrinho, usava moletom laranja e brinco. O fato em si já é peculiar; não acho que isso devia acontecer frequentemente em 2002, mas a forma como eu escrevi sobre isso, indignada, com raiva, com desdém, foi até meio cômico de ler.
Eu com 13 anos provavelmente escrevia melhor do que eu com 16…Bons tempos esses em que aconteciam coisas inusitadas e eu tinha um blog pra escrever sobre elas.



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