Estou de férias

dezembro 27, 2017

Estou de férias. É realmente outra coisa ter TEMPO à disposição. Blogar um pouco da mesa do apartamento com cheiro de café moído, chimarrão e um vaso de flor na minha frente em vez da mesa do escritório, rodeada de comunista elogiando Fidel Castro e de feminista reclamando dos sentimentos duzômi é muito mais aconchegante e dá um toque de pessoalidade pro blog.

Poderia ser um belo momento para reflexão, mas talvez não haja mais o que refletir, especialmente num blog, porque ninguém tem interesse em ler as minhas reflexões. Mas pude tirar um tempo para eu refletir um pouco sobre o ano que passou, sobre o ano que virá e agora vou me servir de mais um chimarrão antes de almoçar.


Graças ao tempo disponível eu pude mexer num mar de papelada que eu nunca mexia porque estavam todas num quarto, socadas em sacos, esperando eu vê-las, separá-las, guardar algumas e outras rasgar. Foi muito interessante, porque eu descobri que tinha guardado extratos de desde quando eu fiz minha conta universitária.


Tinha também nota fiscal do meu laptop, comprado em 2012! Eu olho esse laptop e sempre me parece tão novo e tão atual. Como se tivesse sido comprado há pouco tempo. Tinha também um papelzinho com a letra do meu pai, com o número de um processo e o número do juizado. Também tinha cópia de documentos desse processo no meio da papelada, um comprovante de pagamento, e aquilo veio tão inesperadamente quanto as lágrimas que seguiram. Não guardei nada, embora quisesse ter colocado o papelzinho com a letra dele na minha agenda.

Estou há pouco mais de um mês no meu apartamento e ainda estou pegando a manha da luz do Sol. O Sol bate direto de manhã; antes de instalarmos cortinas, não tinha a menor possibilidade de tomar café no sofá. O Mi trouxe a pitangueira que plantou-se sozinha num vasinho de manjericão. O manjericão morreu; a pitangueira está do tamanho de uma criança de três anos - inclusive, teve ter três anos - e ainda não deu flor. Como é uma planta que curte sol, não acho que vamos mantê-la no apartamento. Compramos um vasão para deixar ao lado da mesa de jantar, mas ali não pega Sol direto (pelo menos não no verão), então precisamos ainda ver uma planta que goste de luz, não se Sol.


Não sei por que escrevi com S maiúsculo (que é o correto, mas enfim).


Com a papelada estavam misturados livros turísticos sobre o Japão. Panfletos de lojas de Tokyo e guias de Kyoto. Pensei em jogar tudo fora porque, em que pese a viagem pro Japão tenha sido incrível e diferente de tudo o que eu tinha pensado que fosse ser, eu não consigo evitar de lembrar que perdi tempo encontrando amizades que foram mal cultivadas. Se eu soubesse que perderia o contato com praticamente todas aquelas pessoas, eu não teria me preocupado em encontrá-las e poderia ter feito uma viagem mais independente. Mas eu estava visitando uma amiga na época…


Já faz quase quatro anos desde que falei pela última vez com a Aline. Só esse ano eu acho que percebi o que aconteceu comigo para eu ter sido tão idiota com ela: ansiedade de separação. É coisa de criança, mas acho que consigo explicar (para mim mesma) o por quê de eu ter sentido isso na fase adulta, e tem muito a ver com o fato de eu ter sido muito mais gaga do que sou agora, com bullying e com minha fase otaku. Eu tinha todos os ingredientes para ter algum transtorno quando algo como minha-amiga-está-indo-morar-no-Japão acontecesse, como aconteceu. E a forma como nessa ansiedade se manifestou foi o que fez de mim uma pau no cu, ao ponto de eu culpar a Aline quando a culpada era eu o tempo todo.

Mas guardo boas memórias do Japão e sinto muita saudade de estudar japonês. No meio da papelada encontrei o comprovante de pagamento para fazer o Exame de Proficiência de 2010 meu e do Mi, na época em que nos conhecemos na faculdade.
Organizar tudo foi um saco e foi estressante. Ainda tenho coisas para anotar, contabilizar e organizar, mas hoje não. Hoje acho que vou esperar o sol descer um pouco e tomar banho de piscina.

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