Caderno e caneta
junho 08, 2015Passei o final de semana no namorado. Quando estou lá eu praticamente nem toco no meu celular - menos ainda no meu Hobonichi.
É meu segundo ano usando Hobonichi e está sendo igualmente frustrante. Eu me imaginava chegando em casa, tomando banho, jantando, me preparando para dormir, mas antes na frente da escrivaninha e escrevo uma página sobre o meu dia, com desenhos, cores, washi tape, etc.
Não. Ano passado eu saía do trabalho pra ter aula pra concurso, chegava em depois das 23h querendo comer alguma coisa potencialmente saudável, tomar banho e dormir. Quase não usei o Hobonichi. Aliás, não usei nem novembro nem em dezembro. Total negligência e dinheiro posto fora…
Outra mancada foi aproveitar uma baixa no dólar pra comprar um Midori Traveler Notebook. Comprei, tentei usar como diário, mas só escrevi reclamação e fiquei com pena de usar algo tão caro bonito pra isso. Guardei o MTN.
Também tenho um caderno Moleskine que ganhei da minha irmã e um caderno Moleskine-ish que ganhei de uma amiga, mais um sketchbook também da Moleskine que comprei há uns 3 anos e um minicaderno da MUJI, também de 3 anos atrás. E um coloridinho da Jetoy comprado há 4 anos, que estava começando a usar como um dicionário de bolso para meu estudo língua japonesa, mas parei porque enchi o saco feat. “você deveria estar estudando para concurso público”. (e não receber salário porque o Estado e a União estão quebrados, imagina Município, que nem pra asfaltar uma rua ou limpar uma ponte tem dinheiro no caixa)
Eis que hoje de manhã acordei com a mão coçando pra olhar imagens de moleskine no Flickr. Quanta coisa bacana! Sim, um monte de porcaria que chamam de “arte”, mas muita coisa linda. E o que mais me chamou a atenção foi ver isto. Um marmanjo escrevendo diário à moda antiga, falando da vida dele, do trabalho, enfim. Seria como escrever este post, só que num caderno, com uma caneta. Eu acho isso lindo, lindo. Mas no meu caso eu finjo que estou trabalhando enquanto escrevo este post; no caso dele, ele teve que guardar um momento privado para escrever - o que só enaltece a beleza das páginas dele.
E vendo essa foto me bateu uma saudade louca dessa coisa de andar com um caderno na bolsa, uma caneta, e escrever, simplesmente escrever. Aí eu penso: mas eu tenho um caderno na bolsa, com caneta. O que me impede de escrever agora sobre o meu final de semana naquelas páginas em branco? O tempo, talvez. A falta de privacidade, talvez. A tristeza de querer fazer páginas tão lindas e caprichadas como as que eu vejo na hashtag do Instagram. Se nem agora que não estou fazendo nenhum curso tenho paciência nem vontade pra fazer nada parecido com aquilo todos os dias, imagina quando eu estava fazendo curso… é sempre assim, quando estou adorando quase que obsessivamente alguma coisa, bate aquela culpa de merda. Foi assim quando eu desenhava. Foi assim quando estudava japonês. Se não é concurso, não pode gostar.
Me convenço cada vez mais de que o meu negócio é o journaling tradicional. Ironicamente, na faculdade, eu procrastinava fazendo justamente isso, com desenhos. Depois parei e resolvi só desenhar. Depois parei de vez. Acho que ainda tenho esse caderno e pretendo mostrar aqui no blog.
Mas de qualquer forma, ano que vem vou começar a usar o MTN. Sei lá, do jeito que der na telha. Uma caderneta para datas, compromissos, aniversários… outra pra anotação. Outra pra outra coisa… quantas cadernetas eu vou precisar efetivamente? Porque de acordo com a hashtag do Instragram tem mil formas inúteis de usar o MTN como uma diva… argh!
Pretendo fazer um post sobre aquele “Japan trip Moleskine” em breve :)



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