Pontes para 2015
dezembro 22, 2014As pessoas são pontes.
Não são necessariamente pontes intransponíveis de pedra, são bem maleáveis.
Essa é uma analogia interessante, dependendo do ponto de vista. Uma pessoa sendo uma ponte e essa ponte, deixando de existir ou estando fechada, distante, em manutenção, etc, não quebra necessariamente a conexão que essa ponte estabeleceu com outras e com relação a ela mesma.
Isso eu digo porque o ano de 2013 me favoreceu com o reencontro de um ex-colega da época do colégio, o qual serviu de ponte para eu conhecer pessoas de quem sou amiga atualmente. Um vínculo de amizade curto, porém forte, em princípio mantido pelo fato de o ex-colega e uma das pessoas serem namorados, mas a conexão tornou-se totalmente independente e a ponte estabelecida em relação ao meu ex-colega encontra-se agora em… não digo manutenção, mas diria que se afastou.
Outras pontes, porém, nos levam a pessoas que, no final, se mostram prejudiciais em algum aspecto. Seja nos ideais políticos, seja no estilo de vida, seja na profissão, não importa.
Por exemplo, uma pessoa me levou a conhecer duas professoras que parecem ter algo contra policiais em geral, uma delas dizendo que não queria que eu chegasse perto da filha dela por eu pensar a favor dos policiais e ela dizer que são violentos, que são monstros… ao passo que eu desejei que a filha dela viva num lugar com segurança.
Outro exemplo: alguns japoneses que conheci em 2010 e 2011. Foi muito legal conhecê-los: teve intriga, teve fofoca, teve cerveja, teve briga, teve desentendimento, teve uma cordial troca de ofensas (“Você é yariman?“, sendo yariman “vadia”, em japonês), teve desinteresse e atualmente reina a indiferença. Excluí todos do Facebook. Conhecê-los, no final das contas, me trouxe o quê? Um punhado de palavras novas no meu vocabulário nipônico e sentimentos de hipocrisia. Fui pro Japão e nem tive vontade de vê-los. No começo eu até olhava Facebook, comentava, tentava manter o contato, mas eles não tinham o menor interesse em mantê-lo e eu perdi o meu. Fui só mais um “contato”, e um contato desnecessário.
Mais um exemplo: terminei de forma compulsória uma amizade que julguei ser honesta e espontânea. A pessoa é uma grandissíssima mentirosa e dissimulada, que não mediu esforços para mentir pros amigos e forçou a própria família a sustentar as mentiras. (Para quem não tem a senha do post, pode me pedir. E, um adendo, a pessoa saiu do Facebook e levou toda a mentirinha junto)
Mais um: ocasionalmente tenho que relembrar um certo defunto de que a relação terminou, que não adianta ele mandar foto do peito e do abdômen definido e perguntar o que eu vou fazer no final de semana e falar do cachorro porque a relação com ele não presta nem para amizade. Aliás, preciso de ajuda para saber como bloquear o recebimento dos emails dele no Gmail, mas já apaguei os últimos que ele mandou – só estou esperando ele mandar uma mensagem no Whatsapp pra eu bloqueá-lo no celular também.
Em 2014, aprendi que os nossos ciclos com relação a alguém podem se encerrar de formas variadas e percebi quantos ciclos fecharam pra mim, quantos eu fechei e quantos estão se fechando.
E me pergunto: Qual o sentido? O que eu, afinal de contas, quero em manter contato com certas pessoas? O que eu quero esperando elas virem falar comigo, o que eu quero batendo a cabeça na parede tendo que adivinhar se aquela pessoa está brava, triste, irritada, se eu fiz algo errado ou se ela vai se dar conta de que cagou na minha cabeça, etc?
Não quero passar mais um ano inteiro me lamuriando por causa de relacionamentos unilaterais. Se o ciclo fechou, paciência, foi bom enquanto durou, tenho boas memórias das quais prefiro esquecer pra não lembrar das ruins, porque sou dessas, porque sim, porque não sou obrigada, ponto.
Manter qualquer vínculo que pareça com amizade, mas que no fundo não passa de mera tolerância, não vai me render nada além de hipocrisia, dissimulação, sarcasmo, de manter as aparências ou de ser, simplesmente, ignorada.
Existem pessoas com as quais nunca mais vou conseguir ter diálogo. Não que elas sejam más pessoas. Simplesmente não deu certo, move on.
Sinto que preciso me livrar de relacionamentos que não servem mais pra mim como pessoa, até porque eu mesma não sirvo para outras nesse sentido. Não é muito mais humano esquecer do que lembrar amargamente? Do que lembrar e sentir aquela angústia imensa e infinita, a ponto de levar para o leito de morte e continuar se perguntando “e se eu tivesse/não tivesse feito/dito tal coisa“?
Vocês precisam disso? Vocês gostam disso?
A tristeza é um vício do qual não quero mais depender. Quero manter para 2015 apenas as pontes que valem a pena manter, conexões que me engrandecem, que me façam bem. Afinal, 2015 pode ser meu último ano de vida, assim como 2014 foi para uma amiga minha de infância que tinha a mesma idade que eu.
Não sei quanto a ela, mas não posso me permitir estar deitada na cama gozando das minhas últimas 12 horas de vida a base de morfina para, depois da minha morte, a pessoa inadvertidamente me escrever “te perdoo” ou “me desculpe” ou “vai te foder“.
Não posso mais esperar por essas mensagens. Se não vieram agora, não virão nunca mais. E se vierem nunca mais, vieram tarde demais.


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