Cursinhos perigosos

outubro 06, 2009

Cursinho é tão interessante.


Todo mundo é teu concorrente, mas todo mundo adora ser amistoso um com o outro, como se isso fosse garantir alguma vaga. Chegou num ponto em que a turma já meio que formou um círculo de amizade – as panelinhas - mas tem gente que… sei lá, me dá medo.

Nas aulas de Português, depois que eu terminava os exercícios, eu pegava meu moleskine pra escrever alguma coisa ou desenhar, para passar o tempo. Mas eu sempre escrevo em japonês, para treinar. E isso desperta a curiosidade das pessoas; algumas até perguntam “isso é mandarim?” (lol) Ou em certos casos elas falam “aaah, como tu desenha beeem!” e eu fico sem graça por alguém ter notado e digo “aaah, obrigada…!”

Ontem eu cheguei super atrasada em razão de o mundo estar desabando sobre Porto Alegre. Em seguida abri o moleskine porque a aula já estava um saco. Nisso entra um cara que eu nunca vi sentar do lado direito da sala de aula (onde eu sento), tampouco no fundão (onde eu sento). Ele sentou diagonalmente atrás de mim. E, obviamente, ele viu meu moleskine aberto.

“Isso é japonês?”, começou ele. E aí veio as perguntas e respostas de praxe. Aí ele fala: “Tá mas, não é mais interessante aprender chinês atualmente?”

Sabem, eu odeio quando as pessoas ficam impressionadas com a mídia. A China teve seu apogeu econômico e agora ninguém mais fala da China. O Japão sempre foi uma das maiores economias mundiais e nunca precisou da mídia para dizer nada sobre isso ou influenciar o estudo do idioma. 

Ele me deu um cartão com o e-mail e telefone (sem o nome dele) e pediu pra eu enviar um e-mail para ele sobre o curso de japonês da PUC, onde eu disse que fazia. 

Eu falei: “No site da PUC tem todas as informações :)” 

Ele: “É, mas me manda um e-mail que esses sites são muito sistemáticos”, algo assim. Eu só concordei e deixei quieto.

Aí eu comecei a estralar os dedos, o pescoço, os cotovelos. 

Ele: “Ãã, com licença”, e começou a me explicar como não é saudável estralar as juntas.

"TÁ, PAI!", quis eu berrar, mas aí eu disse que meu pai fala a mesma coisa e ele, constrangido, falou que "só queria avisar”. 

Aham. E eu fiquei a aula toda com vontade de estralar os dedos e não podia porque aquele homem ficava me policiando. Nunca vi o cara e em um dia ele já me dá pitaco sobre o idioma que eu tenho que estudar, sobre o curso que eu estou fazendo e sobre saúde das juntas. 

Provavelmente ele estava me trovando. 

Então cuidado nos cursinhos, é o que eu recomendo.

You Might Also Like

0 comments

Be nice :)

Seguidores