Coisas
janeiro 18, 2004
Eu pretendia escrever isso amanhã, depois de chegar em casa com uma espécie de aflição pós-concurso. Mas meus pais saíram, foram ao cinema, eu estava lendo depois de estudar das 11h às 17h (arredondando)...
De fato, vim falar sobre coisas. Coisas que passam pela minha cabeça. Mas vocês não precisam ler isso. Muito menos comentar. Permito que leiam apenas o último parágrafo e falem alguma coisa vaga para que eu veja que alguém passou por aqui. Mas eu precisava escrever alguma coisa. Para mim.
A começar, claro, o concurso. Passar pelo sistema eliminatório pela enésima vez. Desta vez com notável esforço, mesmo sem o reconhecimento dos meus pais e mesmo que eu tenha, admito, passado mais tempo do que devia no computador.
A prova. Iminente. Inevitável. Feita para me eliminar. Não quero que ela me chute. Eu quero chutar meus concorrentes. A vaga deles tem que ser minha. E eu me esforcei. Juro.
Então me senti, esses dias, péssima, por recorrer ao bom Pai do Céu por estar desesperada. Mas meu pedido não foi apenas pra passar no concurso porque paga bem. "Quero que meus pais sintam orgulho de mim", foi o que disse, quase chorando. Dá para acreditar? Eu, aos 18 anos, chorando a Deus para que meus pais sintam orgulho de mim com o único recurso que eles acham viável: aprovação em um cargo público.
Não sei onde quero chegar escrevendo tudo isso. Na verdade, sei onde quero chegar aqui. Neste mundo - o real -, diga-se de passagem. Quero ganhar o orgulho dos meus pais.
Mas só orgulho?
Não.
De fato, vim falar sobre coisas. Coisas que passam pela minha cabeça. Mas vocês não precisam ler isso. Muito menos comentar. Permito que leiam apenas o último parágrafo e falem alguma coisa vaga para que eu veja que alguém passou por aqui. Mas eu precisava escrever alguma coisa. Para mim.
A começar, claro, o concurso. Passar pelo sistema eliminatório pela enésima vez. Desta vez com notável esforço, mesmo sem o reconhecimento dos meus pais e mesmo que eu tenha, admito, passado mais tempo do que devia no computador.
A prova. Iminente. Inevitável. Feita para me eliminar. Não quero que ela me chute. Eu quero chutar meus concorrentes. A vaga deles tem que ser minha. E eu me esforcei. Juro.
Então me senti, esses dias, péssima, por recorrer ao bom Pai do Céu por estar desesperada. Mas meu pedido não foi apenas pra passar no concurso porque paga bem. "Quero que meus pais sintam orgulho de mim", foi o que disse, quase chorando. Dá para acreditar? Eu, aos 18 anos, chorando a Deus para que meus pais sintam orgulho de mim com o único recurso que eles acham viável: aprovação em um cargo público.
Não sei onde quero chegar escrevendo tudo isso. Na verdade, sei onde quero chegar aqui. Neste mundo - o real -, diga-se de passagem. Quero ganhar o orgulho dos meus pais.
Mas só orgulho?
Não.
Às vezes eu me pergunto se vai valer a pena seguir o caminho pelo qual meus pais querem, já que tudo o que eu gostaria de ser parece impossível e sem futuro para eles. Eles fazem minha cabeça de tal forma que eu acabo acreditando realmente que, seguindo o caminho que eu acho interessante, eu acabaria num mato onde a grama é tão alta que eu acabaria me perdendo ou encontrando alguma coisa ruim que me derrubaria para sempre.
Foi assim que surtei. Enfraqueci de verdade. Desisti de tudo, desisti de vocês, queria sumir, queria ser outra pessoa, outra coisa. Não, optei por ser outra pessoa.
Vergonha, sim, vergonha. Eu sou humana. Eu também sinto. Não acho fácil explicar muita coisa no que diz respeito à mim.
Vocês já se sentiram presos dentro de casa? Presos e fazendo vontades das outras pessoas a fim de receberem algo em troca e assim poder viver satisfeito consigo mesmo?
É como se, com eles - meus pais - estando felizes, eu estaria feliz também. Por causa deles. Porque eles confiam em mim daquele momento em diante e tudo o que eu fizesse seria visto com bons olhos, e não como atitudes irresponsáveis de uma débil mental imatura de 18 anos.
Talvez (talvez?) seja esse o motivo da minha confusão periódica. Não consigo gostar do fato de eu estar feliz quando outras pessoas não estão. Então eu me obrigo a me sentir mal, fazendo tudo o que essa pessoa quiser para ela ficar feliz. E só assim eu fico feliz. Por que eu sou assim? Eu não posso ser assim. Senão as pessoas vão continuar pisando em cima de mim e eu vou ser fraca e inútil.
Foi assim que surtei. Enfraqueci de verdade. Desisti de tudo, desisti de vocês, queria sumir, queria ser outra pessoa, outra coisa. Não, optei por ser outra pessoa.
Vergonha, sim, vergonha. Eu sou humana. Eu também sinto. Não acho fácil explicar muita coisa no que diz respeito à mim.
Vocês já se sentiram presos dentro de casa? Presos e fazendo vontades das outras pessoas a fim de receberem algo em troca e assim poder viver satisfeito consigo mesmo?
É como se, com eles - meus pais - estando felizes, eu estaria feliz também. Por causa deles. Porque eles confiam em mim daquele momento em diante e tudo o que eu fizesse seria visto com bons olhos, e não como atitudes irresponsáveis de uma débil mental imatura de 18 anos.
Talvez (talvez?) seja esse o motivo da minha confusão periódica. Não consigo gostar do fato de eu estar feliz quando outras pessoas não estão. Então eu me obrigo a me sentir mal, fazendo tudo o que essa pessoa quiser para ela ficar feliz. E só assim eu fico feliz. Por que eu sou assim? Eu não posso ser assim. Senão as pessoas vão continuar pisando em cima de mim e eu vou ser fraca e inútil.
Porque só as pessoas frias vencem, não é verdade?



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